terça-feira, janeiro 21, 2014

Com amor, Bela

E rasguei as palavras pintadas na porção de pequenos papeis que fez questão de deixar para trás. e perdi presentes sem perceber, mas mea culpa, pois os esqueci quase sem querer. te tirei todo, te atirei pela rua de um país que não é nem meu, nem seu.
So let's start this again.
You are out.
I am happy.
Gracias.
Com amor,
Bela.

domingo, dezembro 01, 2013

Saudade for dummies

I cant contain my feelings of saudade. she said to me as her face melted down on her hands like it was made of wax. I had no idea what that meant. I had never heard that word before. it didn't belong to me. that was when I realized she didn't belong to me. I cant contain my feeling of saudade, she repeated brutally this time noticing I didn't understand. she burst into an angry cry and screamed. she was so much more than I ever thought of her. and now there she was, slipping through my fingers and walking away from me. I dint follow her. I thought I had no right to. instead, I ran home and searched for the word saudade. Found this: "It describes a deep emotional state of nostalgic or deeply melancholic longing for an absent something or someone that one loves." Right that's longing, I thought. I know how that feels, I'm a person who longs all the time. I can relate. I have to find her and tell her that. That she's not alone, that I understand. But I kept reading. "Moreover, it often carries a repressed knowledge that the object of longing will never return" Like a nostalgic thing, like how I feel about my childhood. I know that. Everyone feels like that sometimes. I dont know why she's losing her mind over this. I'll tell her she can contain it! It's not that hard. But before running through the door, I wanted to read just a bit more about this such familiar feeling. "Saudade was once described as 'the love that remains' after someone is gone." Those words choked me. I stood still and never heard from her again. Saudade is what she left me. I understand it now. 

quarta-feira, novembro 27, 2013

só corpo

não foram só as palavras que perdi. e não as perdi. me foram roubadas num sequestro relâmpago, tomadas de mim, assaltadas, como se nunca pudessem ter me pertencido. minhas palavras. suas palavras. me arrancou todos os sons da minha boca e todas as letras das minhas mãos. o que sou sem palavras senão corpo? sou corpo.

domingo, novembro 17, 2013

on the edge

my heart is always gonna be some kind of closed. i still ache. and its worse for the body when theres a rainy day outside. my mind will never be healthy enough to interact with people and dont feel the urgency of leaving and being alone. even though im always looking for a pair. its exhausting. life is.

terça-feira, outubro 22, 2013

Por aqui

Eu tenho um quarto novo, numa casa diferente, numa rua distinta, numa cidade inédita, num país que não conheço, num continente que me encanta, que não é o meu. Eu tenho um idioma que não me pertence, um vocabulário que cresce a cada dia, uma lista de nomes que nunca ouvi e que se repetem, porque não há criatividade como a brasileira. Eu tenho um sonho sendo realizado, uma verdade que não entendo, um desafio e uma lei que enfrento, eu tenho uma ilegalidade que não concordo, eu tenho uma revolução de gostos e interesses, eu tenho uma porção de línguas pelo meu corpo. Uma nova cor de pele, um ou dois parques com meu nome na grama, um cachorro velho que, de vez em quando, volta a ser criança. Eu tenho essas dores que me distraem. Tenho o mediterrâneo que me cura e as montanhas que me dão colo. Eu tenho cinco horas a mais do que quando nasci, uma árvore em cima da minha cabeça, tenho periquitos com pingentes, duas rodas e uma cesta, eu tenho liberdade nos meus pés, tenho distância de mares, eu tenho cinco meses nas minhas mãos. Eu tenho saudade, fé e ganas.

sábado, setembro 21, 2013

Carta aberta a meus pais

Primeiro, eu sinto muito. Por quê? Por tudo.
Dito isso, por favor, saibam reconhecer minha felicidade sem uma cobrança triste. Uma porção de vezes ouvi-los dizer: "Só queremos que você seja feliz". Hoje, não importa quantas vezes eu repita: "Estou feliz. Nunca estive tão feliz. Acordei tão feliz. Estou muito feliz! Obrigada, eu tô feliz.", vocês parecem fazer questão de fingir não escutar. Se tudo que fizeram, como pais, foi para a felicidade dos seus filhos, por favor, aceitem a vitória - pelo menos com um deles -, pois eu estou feliz. Se minha felicidade não é aquela que vocês tanto esperavam para mim: carreira, dinheiro, financiamento de imóvel, carro na garagem, casamento, filhos, mais aumento de salário, mais um carro na garagem, mais estabilidade; aceitem que cada um tem sua maneira de ser feliz, e entendam que eu tentei do jeito mais óbvio para vocês, e não funcionou. Se você me escreve toda vez "te amo sempre" por medo do amanhã não existir, pense que eu estou aproveitando para ser feliz hoje por medo do amanhã também não existir. No fundo, eu sou fruto de vocês, portanto, não tão diferente assim. Se amanhã eu ainda vou ser feliz assim? Provavelmente, não. Mas quando o despertador tocar pela manhã, eu lido com isso. 


sexta-feira, setembro 06, 2013

é que estamos todos fora da cama.
ela, fora da sua. ele, fora da dele.

é que em algum momento, há algum par de anos, todos planejaram a simplicidade de uma forma luxuosa, e agora nada de importante há. apenas a carcaça ficou.

é que no fundo, ela não queria dançar, e ele não parava de dançar.
é que quando o tempo parou, ela se percebeu em um movimento muito mais particular e restrito, como se pudesse sentir cada célula do seu corpo se movendo, apesar de não dar sequer um passo.

há uma saudade absurda do ela nunca foi. do que não existiu. do que não será.

é que não se sabe se não lhe falta nada ou se lhe falta tudo.

sexta-feira, agosto 30, 2013

Sobre danos.


Aos cinco anos, sofri um abuso sexual que só me despertou na consciência dez anos mais tarde. foi duro. foi como assistir de perto um dano sendo detalhadamente causado a alguém, qualquer alguém menos eu. mas era eu. foi frio. foi solitário.
Dos 16 aos 19, vivi situações um tanto decadentes, por vontade própria e rebeldia de adolescente, que com o passar dos anos se tornaram lembranças distantes, algo que havia acontecido com alguém, com qualquer alguém menos comigo. mas foi comigo. foi estranho. ainda é.
Dos 20 aos 26, me vi em um relacionamento, que mudaria minha vida para o bem e para o mal. Às vezes, mais para o mal do que para o bem.
Quase à esquina dos 27, esses foram os danos que me foram causados. Mas, como todo ser humano egocêntrico, raramente parei para pensar naqueles que eu causei, senão a minha família, a quem imploro um perdão mental, como quem diz bom-dia.
Os danos que me causaram me transformaram na sagitariana menos sagitariana do mundo, ou seja, nada comunicativa, nada falante, nada extrovertida, nada dessa coisa alegre que diz todo mapa astral de um sagitariano.
Mas a verdade é que não faço ideia de quantos signos eu danifiquei. Porém, sei que o fiz. E abandonei a hipocrisia há muito tempo para vir aqui e dizer "sinto muito". Pois não sinto. Não posso lamentar algo que nem mesmo lembro.
Daqueles que sei ter feito mal, você é o que menos passa pela minha cabeça. Éramos apenas crianças cometendo o pior erro de nossas vidas, não é? Diz a garota abusada aos cinco anos, que mais de vinte anos depois, ainda tem dificuldade em aceitar isso. Mas eu não quero perdão. O que eu quero é te dizer: "deixa prá lá." O karma está aí para acertar as contas com o Universo. De todo o abandono que eu posso ter te causado, o Universo veio e me trouxe o triplo. É lei. Acontece. Mas estamos aí, vivos, sobrevivendo e sendo gente cada vez melhor, não é? O que eu posso esperar é que o dano que te causei tenha lhe valido de algo, pois os estragos cravados em mim me valeram de muito. Não posso te pedir perdão, mas vou torcer para que não tenha mais sonhos comigo.

Um beijo.

quarta-feira, maio 22, 2013

quando

quando o avião vier tocar o chão daquela terra que não é a minha, quem sabe meu corpo não se transforma em outro, com a habilidade invejosa dos homens de esquecer?
mas não com você.

quinta-feira, maio 02, 2013

a partida: parte dois

ninguém sabia, mas eram estranhos de mãos dadas. ninguém sabia, mas queriam se apagar. ninguém sabia, mas seus corpos estavam se desmanchando aos poucos. primeiro os pés apontando para lados opostos, depois os rostos que não se encostavam há meses, as palavras que ficaram engasgadas em gargantas alheias, os cabelos que esbranqueciam e caíam, as pernas que não se tocavam, os seios que se apertavam sozinhos, os dedos que tremiam, as mãos que suavam segurando outras, a pele descacava, os lábios rachavam, as rugas apareciam, os olhos ardiam, as pintas sumiam. os desenhos no corpo dela, só dela. o sim nos lábios deles, só deles. e todos os nãos que seus corpos respondiam. não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não. os corpos sendo abandonados aos poucos.